Acupuntura no Tratamento da Infertilidade Feminina

Fundação Oswaldo Aranha
Centro Universitário de Volta Redonda
Curso de Pós-Graduação “LATO Sensu” Em Acupuntura
Trabalho de Conclusão De Curso
Artigo: Acupuntura no Tratamento da Infertilidade Feminina
Autor: Paulo Augusto Cirto Martins.

Paulo Augusto Cirto Martins

Monografia apresentada ao curso de Pós-Graduação ”Lato Sensu” da UniFOA como requisito à obtenção do título de Especialização em Acupuntura.

Aluno: Paulo Augusto Cirto Martins
Orientador: Prof. Alex da Silva Santos

A José Augusto Martins, meu pai.
A Alais Cirto Martins, minha mãe.
A Mônica Carneiro Alves, minha esposa.

AGRADECIMENTOS

O aprendizado é um processo inexaurível, fonte de desenvolvimento das potencialidades do espírito, em contínua evolução.
Aos professores do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” da UNIFOA, ao Centro Brasileiro de Acupuntura Clínica e Medicina Chinesa, em cumprimento da sagrada missão do magistério – sinceros agradecimentos.
Registro a gratidão pela confiança depositada e aval didático de imensa valia, externados pelo professor orientador, Alex da Silva Santos.

RESUMO

Apesar das transformações observadas nas concepções e práticas relacionadas à infertilidade, fundamentadas principalmente no avanço do conhecimento médico, a condição de infértil tem se constituído em um anátema para as mulheres, atravessando séculos de história e rompendo limites geográficos e culturais. Tal concepção pode ser encontrada em qualquer faixa etária, como mostram as pesquisas sobre maternidade na adolescência. Estas evidenciam que, principalmente nos setores populares, a maternidade é idealizada e concebida como um salto qualitativo na vida da mulher, onde ser mãe é um valor feminino maior, o par mãe-filho parece representar o ideal de beleza, de felicidade. Tendo como ponto de partida uma revisão bibliográfica a cerca da Acupuntura como método de tratamento para diversas causas de infertilidade na mulher, destacamos neste trabalho os conceitos fundamentais que servem de alicerce para a Medicina Tradicional Chinesa e em especial a Acupuntura, as mais significativas causas da infertilidade feminina, os aspectos psicológicos envolvidos, as técnicas e tratamentos aplicados, assim como a identificação dos principais Padrões de Desarmonia e os principais acupontos preconizados na literatura especializada. Diante da relevância do tema, qual seja a Infertilidade Feminina, nossa pesquisa pode concluir que a Medicina Tradicional Chinesa, em especial a Acupuntura, é um método de tratamento de estrema importância, mas que ainda se mostra carente de textos específicos que tornem mais evidentes e esclarecedores ao leitor interessado quando a prática e os resultados da utilização da Acupuntura no tratamento da Infertilidade.

ABSTRACT

Despite the changes observed in the concepts and practices related to infertility, mainly based on medical knowledge advancement, the infertile condition has been constituted as anathema to women across centuries of history and breaking geographical and cultural boundaries. This design can be found in any age group, as shown in research on adolescent motherhood. These show that, especially in the popular sectors, motherhood is conceived and designed as a qualitative leap in women’s lives, where being a mother is a greater female value, the mother-child pair seems to represent the ideal of beauty, happiness. Taking as its starting point a literature review about acupuncture as a treatment method for various causes of infertility in women, this study highlight the fundamental concepts that serve as the foundation for traditional chinese medicine and acupuncture in particular, the most significant causes of female infertility, the psychological aspects, techniques and treatments applied, as well as identifying key Disharmony Standards and key acupoints recommended in the literature. Given the importance of the subject, what is the Women’s Infertility, our research can conclude that the traditional Chinese medicine, especially acupuncture, is of extreme importance treatment method, but still shows lacking in specific texts become more evident and enlightening the interested reader when the practice and the results of the use of acupuncture in the treatment of infertility.

INTRODUÇÃO

Atualmente, estima-se que seis milhões de casais nos Estados Unidos apresentem problemas de fertilidade. No Brasil, segundo a Organização Mundial de saúde (OMS), a Infertilidade é um problema vivido por 8% a 15% dos casais. O Ministério da Saúde (BR) estima que mais de 278 mil casais tenham dificuldades para gerar um filho em algum momento de sua idade fértil.

È importante ressaltar que a infertilidade é uma condição que impede a concepção, mas que pode ser revertida, diferentemente da esterilidade, que se determina pela incapacidade total de conceber filhos.

Segundo Wikipédia (www. Wikipédia.org), a infertilidade é o resultado de uma falência orgânica devido à disfunção dos órgãos reprodutores, dos gâmetas ou do concepto. É diferente de esterilidade. Um casal é infértil quando não alcança a gravidez desejada ao fim de dois anos de vida sexual contínua sem métodos contraceptivos.

A infertilidade pode ser feminina, masculina, feminina e masculina, ou ainda sem causa aparente.

Várias são as causas para a infertilidade, como o adiamento da idade da concepção, à existência de múltiplos parceiros sexuais, aos hábitos sedentários e de consumo excessivo de gorduras, tabaco, álcool e drogas, bem como aos químicos utilizados nos produtos alimentares e aos libertados na atmosfera.

Outros fatores causais da infertilidade vêm sendo investigados, e apontam para hábitos de vida que incluem a alimentação e os exercícios físicos.

Mulheres que se alimentam de forma inadequada, ou seja, de forma exagerada ou deficiente, que apresentam obesidade parecem ovular menos.

Da mesma forma, o excesso de atividades físicas também eleva o nível de estresse, o que pode ser combatido pela acupuntura.

Recentemente, alguns estudos científicos têm se ocupado em corroborar o uso da Acupuntura para o tratamento da infertilidade.

Esses estudos apontam para mecanismos neuro-hormonais que influenciam o ciclo menstrual e a circulação sanguínea uterina, melhorando assim a qualidade dos óvulos e do endométrio e permitindo o aumento das taxas de gravidez em pacientes submetidos à Acupuntura.

Neste sentido podemos citar estudo publicado (metanálise) no British Journal of Medicine, onde se pode verificar grande número de trabalhos científicos espalhados pelo Mundo com Acupuntura e fertilidade em mais de 1.000 mulheres.

Os resultados destes trabalhos demonstram que a Acupuntura pode realmente aumentar as possibilidades de gravidez quando aplicada durante o ciclo de fertilização in vitro (FIV).

Segundo este mesmo trabalho, o aumento da taxa de gravidez deu-se em torno de 10 a 12% no grupo de pacientes com a utilização de Acupuntura.

Dentre os efeitos observados nas pacientes que se submeteram ao tratamento com Acupuntura observamos o aumento do fluxo de sangue na região do útero e dos ovários, a regularização dos ciclos anovulatórios através da ação da Acupuntura no eixo hipotálamo-hipofisário-gonodal, a liberação de um modelo neuro-hormonal chamado betaendorfina e outros neuroléptídios presentes no hipotálamo, hipófise, medula e ovários. Saliente-se que a betaendorfina está envolvida no mecanismo de regulação dos hormônios do ciclo menstrual, tendo ação na própria ovulação. Por ultimo observou-se ainda a redução do estresse através do mecanismo de liberação de betaendorfina e serotonina.

A palavra Acupuntura tem origem no latim acus – agulha e punctura – picada (WIKIPEDIA – online). Portanto a Acupuntura é uma especialidade da Medicina Tradicional Chinesa com aproximadamente 5.000 anos, que consiste na inserção de agulhas através da pele, nos tecidos subjacentes e em diferentes profundidades, utilizando pontos específicos do corpo a fim de produzir efeito terapêutico.

Segundo Souza (2008), a utilização da Acupuntura e da moxabustão como práticas terapêuticas fundamenta-se na noção de estimulação do Qì, energia, força vital.

Para Yamamura (2004) o mecanismo de ação da Acupuntura está intimamente relacionado ao nosso corpo energético e a nossa forma física através dos meridianos.

Assim sendo, ainda Souza (2008) esclarece que os fatores que prejudicam o Qi são diversos, mas qualquer desarmonia na força vital irá mostrar-se através de um problema de circulação nos meridianos (Jing Mai), a rede de canais por onde circula.

Esta rede conecta o interior do corpo com o ambiente externo, conduzindo o Qi dos órgãos e vísceras (Zang Fu), para o exterior em um sentido, e no outro, conduzindo o Qi (força vital), do ambiente externo para o interior do corpo.

A Medicina Tradicional Chinesa conceitua saúde e enfermidade utilizando-se do equilíbrio entre Yin e Yang. Ao restabelecer o equilíbrio entre Yin e Yang e consequentemente a livre circulação do Qì, os fatores causais das doenças desaparecem.

A utilização da Acupuntura como uma forma de remover fatores patogênicos e tonificar a deficiência da força vital está descrita nos capítulos 50 a 55 do SÙ WÈN, entre outros.

Yin – Yang

O conceito de Yin-Yang, apesar de simples, é o mais importante e distintivo da medicina chinesa. Sua referencia mais antiga encontra-se no Livro das Mutações (Yi Jing), datado em meados de 700 a. C.

Yin e Yang são dois conceitos básicos do taoismo que expõem a dualidade de tudo que existe no universo. Descrevem as duas forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio feminino, a água, a passividade, escuridão e absorção. O yang é o princípio masculino, o fogo, a luz e atividade. (WIKIPEDIA – online).

Segundo Maciocia (2007) é possível dizer que toda a fisiologia, a patologia e o tratamento da medicina chinesa podem ser reduzidos a Yin – Yang. Seu conceito juntamente com o de Qi acompanha a filosofia chinesa há séculos.

Na explicação de Auteroche (1992) os princípios do Yin Yang encontram-se presentes em todos os aspectos da filosofia chinesa, e explicam a estrutura orgânica do corpo humano, suas funções fisiológicas, as leis que regem as causas e evolução das doenças, como também de referencial no diagnostico e tratamento clinico.

Para os orientais, Yin e Yang representam qualidades opostas, mas que se completam.

Quanto as suas propriedades, nos ensina Campiglia (2010) que o Yin é considerado tudo o que dá forma, a própria estrutura corporal. O Yang corresponde à função, ao movimento. Não pode haver forma sem que exista uma força que a trabalhe e que a transforme. Da mesma maneira, não pode haver movimento sem algo que dê suporte.

Esclarece-nos ainda Campiglia (2010) que para os chineses, a realidade estava em constante mutação, ou seja, um ciclo natural se estabelece e que forma o caminho, o Tao, o todo. Desta forma Yin e Yang vivem de maneira dependente, opostos complementares.

Dentre suas funções, podemos citar a oposição, a interdependência, o consumo e a transformação.

Por ultimo ressalte-se que permitir a criação dentro de si, como a mulher em seu útero, a capacidade de receber uma nova vida, fazem parte da dinâmica do Yin.

O QÌ

De difícil tradução, o conceito de Qì ocupou os filósofos chineses de todas as épocas, desde o inicio da civilização chinesa até os dias atuais. Muitas traduções foram propostas, sendo que nenhuma conseguiu expressar com exatidão sua essência. Dentre alguns exemplos podemos citar “energia”, “força material”, “éter”, “matéria”, “força vital”, dentre outras.

O significado etimologico do ideograma qi (“氣”) na sua forma tradicional mais conhecida é uma imagem do “vapor (气) subindo do arroz (米) enquanto cozinha”. É frequentemente traduzido como “ar” ou “respiração”, por exemplo, o termo chinês que significa “respiração” é tiānqì, ou a “respiração do céu”. (WIKIPEDIA – online).

Segundo Auteroche (1992), o Qì, o sangue e os líquidos orgânicos são os materiais básicos do organismo.

Para Maciocia (2007) O Qì é a base de todos os fenômenos no Universo e proporciona uma continuidade entre a forma material e rígida, e as energias sutis, rarefeitas e imateriais. Assim, neste aspecto observamos a dualidade entre o materialismo e o idealismo.

De acordo com Sakanashi (2007) Qì se traduz por energia vital, ou a força da energia vital. Possui ilimitado poder de penetração, preenchendo o Universo, e sendo, portanto a força que anima a vida. Para o mesmo autor, o Qì também indica a nossa força interior, que conhecemos como “espirito”, ou melhor, nossa essência interior.

Com relação à Medicina Chinesa, nos esclarece Maciocia (2007) que, conforme observações filosóficas existe uma inter-relação entre o universo e os seres humanos, e sendo assim concordaram que o Qì dos seres humanos é resultado dos Qì do Céu e da Terra. Na concepção da medicina chinesa, existem vários tipos diferentes de Qì, e sua interferência se faz perceber tanto no corpo como na mente. Encontram-se desde a forma sutil até a forma mais densa, e se manifestam de variáveis formas.

Em relação à saúde esclarece Masafumi Sakanashi (SAKANASHI, 2007, p.36):

Mobilizar o Ki, de forma que não se estanque, é a chave as saúde física, mental e espiritual. O Ki nunca se esgota. À medida que se gasta com a vida, ele se repõe paulatinamente: temos apenas que permitir a sua recuperação através do descanso adequado, da boa alimentação, de uma respiração correta e de uma atitude psíquica positiva. Quanto mais fluida for a sua circulação, mais poderosos serão os seus efeitos.

Cinco Elementos

Juntamente com a teoria Yin Yang e Qì pode-se complementar com a teoria dos cinco elementos, que é na realidade a correlação dos cinco elementos básicos (A Madeira, o Fogo, a Terra, o Metal e a Agua), que constituem a Natureza, com os quais, usando-os simbolicamente constrói-se um contexto entre o macrocosmo e o microcosmo, que seria no corpo físico, dotando-os de características peculiares de interdependência e Inter-restrição que determinam seus estados de constante movimento e mutação. (Ateroche,1992; Maciocia, 2007). Ou seja, eles se originam reciprocamente e são condicionados uns pelos outros. Seus movimentos e suas alterações constantes originam um ciclo ao longo do qual se sucedem continuamente, o que os denomina também de “Cinco Movimentos”.

Ross (2003) define o sistema dos cinco elementos como o sistema específico de escolha de pontos baseado na teoria dos Ciclos de Promoção e de Controle envolvendo o uso dos pontos de Tonificação, Sedação, Elemento e de Controle.

Para Campliglia (2010), os cinco elementos, ou movimentos energéticos são empregados para descrever todo o funcionamento do corpo e da psique.

A renomada autora esclarece que os mais relevantes elementos relacionados à dinâmica energética dos ciclos femininos são a água, a madeira a terra e o fogo, que se pese a obrigatória inter-relação entre os cinco elementos, que devem ser estudados em conjunto.

Em torno desta particular relevância na fisiologia feminina, passamos a seguir a uma breve descrição destes elementos em destaque.

Cinco Elementos e a Fisiologia Feminina

Água

É considerada o veiculo de transmissão da herança das espécies, o elemento principal para o surgimento da vida na terra. Está intimamente relacionado ao liquido seminal e os óvulos, bem como o próprio útero. Seu movimento natural é descendente, regulando os meridianos Rim e Bexiga. Alterações do Rim podem revelar quadro de infertilidade, abortos repetidos, alterações genéticas, amenorreia, perda de vitalidade, fogachos e outros sintomas da menopausa. É o poder dos Rins que permite a fertilidade e a sexualidade nas mulheres e nos homens. Em qualquer quadro de infertilidade, deve-se iniciar a investigação através da energia dos Rins.

Madeira

A Madeira é um elemento relacionado à renovação e aos ciclos da vida. Uma das funções relacionadas a este elemento é armazenar o Sangue, o que lhe coloca em relação direta com o ciclo menstrual. O Fígado, ligado ao elemento Madeira, colabora na circulação do Sangue, influenciando o fluxo menstrual. Como uma árvore que brota e cresce em direção ao céu, o elemento Madeira apresenta aspecto, o movimento (circulação) e armazenamento, gerando os ritmos corporais.

Terra

A terra é fundamentalmente um sinônimo de fertilidade. Sua função na Medicina Tradicional Chinesa inclui a nutrição e a formação do Sangue, que é considerado uma forma densa de energia, predominante na fisiologia feminina. Está intimamente relacionado à reprodução.

Na Medicina Tradicional Chinesa, a Terra rege o Baço-Pâncreas e o Estomago. Havendo desequilíbrio do Baço, observaremos disfunções relacionadas ao Sangue, como processos hemorrágicos, metrorragias, alterações no fluxo menstrual e da fertilidade, além de um estado de Umidade.

Fogo

O Fogo, na perspectiva da Medicina Tradicional Chinesa representa o Espirito ou Shen para os Chineses. Está ligado à concepção por regular a união do óvulo com o espermatozoide. Considerado o mestre do desejo sexual, o Coração se comunica com a Água ativando o princípio vital (Jing), pelo qual se expressa a fertilidade.

Neste aspecto esclarece a Doutora Helena Campiglia (Campiglia, 2010, P.15)

O Coração comanda o Sangue, fundamental na fisiologia feminina, assim como as funções mentais e cerebrais. Rins e Coração representam, na MTC, o eixo entre os ovários e o cérebro, coordenando o ciclo hormonal. É o eixo hipotálamo-hipofisário-ovariano. Assim sendo, o eixo reprodutivo passa da água ao Fogo e vice-versa, reunindo em si o comando cerebral (Fogo) e a formação e a liberação dos gametas (Água). Como decorrência disto, pode-se compreender porque a mente quando em desequilíbrio, é capaz de até mesmo afetar a fertilidade natural.

A Etiologia da Infertilidade Feminina para a Medicina Tradicional Chinesa

Uma grande quantidade de casos onde ocorre dificuldade de engravidar, a causa da infertilidade está relacionada a modificações no quadro energético e aspectos emocionais, que podem ser resolvidos através de tratamento pela acupuntura.

Segundo Lyttleton (2006), a infertilidade pode ter diversas etiologias, quais sejam:

Fraqueza constitucional, importante causa da infertilidade devido à fraqueza da Essência do Rim. Pode ser causada pela mãe que o concebeu muito velha, a constituição e a saúde dos pais não sendo boas no momento da concepção, etc. Pelo fato de ser a essência do Rim a base para o Qi Pré- Natal, a mulher não pode conceber.

Excesso de trabalho, caracterizado por longas horas sem repouso adequado e com dieta irregular após muitos anos é a maior causa de deficiência de Yin do Rim (Shen).

Excesso de exercício físico, observando que o trabalho físico excessivo ou exercício extenuante enfraquecem o Yang do Baço e do Rim, especialmente quando o Útero da menina jovem está em estado vulnerável.

Atividade sexual excessiva, enfraquecendo seriamente os Rins e lesa os Canais Ren Mai e Chong Mai e pode causar infertilidade.

Invasão pelo Frio, sendo causa muito comum de infertilidade em mulheres jovens, pois o Frio invade o Útero e os Canais Ren Mai e Chong Mai impedindo a fertilização.

Dieta, haja vista que o excesso de alimentos e bebidas frios também leva Frio ao Útero. O consumo de Laticínios e produtos gorduroso forma Umidade no Aquecedor Inferior, impedindo a fertilização (bloqueio das trompas de Falópio).

Para Campiglia (2010), corroborando o estudo de Lytleton (2006) acima mencionado, tal adoecimento ocorre por deficiências constitucionais ou por agressões a saúde no decorrer da vida.

A deficiência constitucional se dá devido à má formação do Jing (essência ou energia vital). Importante ressaltar que a construção dessa essência (Jing) depende dos caracteres ancestrais, quais sejam, os gametas masculino e feminino, como também as condições adquiridas, e que afetam o ambiente gestacional, como a nutrição, período de sono, e fatores relacionados às condições psíquicas. Em ultima analise, o Jing relaciona-se a fatores genéticos e congênitos.

Ao discorrer sobre as doenças adquiridas, Campiglia (2010) acrescenta que do ponto de vista psíquico, as emoções possuem papel de relevo em toda a saúde do corpo, por afetarem diretamente o Fígado e o Coração, e assim, ao aparecimento de doenças por estagnação de Qì e problemas sanguíneos.

Neste aspecto, ao se falar em infertilidade, o primeiro olhar deve ser dirigido ao vazio dos Rins, pelo fato de ser a morada do Jing, gerador de novas vidas e que servem de sustentação a integridade e a vitalidade da mulher.

No mesmo sentido é a opinião de Alteroche (1987), ao esclarecer a dualidade clássica das causas da infertilidade feminina, a primeira diz respeito a deficiências congênitas, enquanto a segunda trata das patologias adquiridas.

Importante elucidação de Auteroche (1987), diz respeito das Deficiências Congênitas, também referidas como “não fertilidades” as mesmas são consideradas inacessíveis à acupuntura, e segundo os médicos chineses o tratamento depende de técnicas cirúrgicas “ocidentais”, e, portanto, inacessíveis ao profissional acupunturista.

Acrescenta Yamamura (1999), que a infertilidade ocasionada por patógenos adquiridos define-se basicamente por Plenitudes, vazios e Vazio de Qì (energia) e Xue (sangue).

Já o tipo plenitude verifica-se na hipótese da obstrução uterina e dos canais energéticos Ren Mai e Chong Mai por patógenos.

Para Ross (2003), a etiologia da Infertilidade caracteriza-se por Padrões de Excesso (Shi) ou Deficiência (Xu).

Padrões de excesso

a) Estagnação do Qi e do Sangue

A estagnação do Qì (em especial do Fígado) e do sangue são consideradas uma das causas que ocasionam o desenvolvimento da Infertilidade, e podem estar relacionadas com a estagnação emocional, falta de exercícios físicos, má postura, traumatismo ou cirurgia.

Nestes casos podemos observar Amenorreia ou Infertilidade com depressão, frustração, medo e tristeza, podendo ainda ocorrer distensão ou desconforto no peito, região epigástrica ou abdome.

b) Estagnação do Qì do Fígado

O Fígado é um dos sistemas mais importantes no armazenamento sanguíneo, por isso sua função é regularizar o volume de sangue de acordo com a atividade física e de regularizar a menstruação. (Maciocia, 2007).

Sendo o Fígado responsável pela circulação normal do Qì (energia vital) e por comandar as emoções do corpo, uma desarmonia neste órgão poderá afetar qualquer outro órgão, por isso ele é a base de muitas patologias. Por ser um órgão que sofre com o estresse e alimentação desregrada, que são os males da vida moderna, é um responsável comum pelas desordens menstruais, por tanto são também responsáveis por alguns casos de Infertilidade.

Esclarece Maciocia (2007), que quando o sangue do Fígado fica estagnado, o sangue dos Vasos Diretor e Penetrador também estagnarão afetando a função menstrual; dentre varias manifestações decorrentes dessa síndrome podemos o fluxo menstrual de coloração escura e em coágulos, atrasos do ciclo, cólicas e dificuldades na fertilização.

c) Fleuma e Umidade
Fleuma e Umidade podem estar relacionadas com a tendência que algumas mulheres com tipo constitucional do Baço apresentam em acumular gordura e fleuma, de forma que a fleuma bloqueia as tubas uterinas ou o processo de reprodução de forma geral.

Sobre esta característica constitucional acima mencionada, assim se posicionou Alteroche (Zhu danxi apud Auteroche et. Al., 1987):

As mulheres obesas, de gosto imoderado pela comida e pela bebida, tem menstruação irregulares e não podem conceber porque o corpo delas transborda de gordura e as Mucosidades-Umidade obstruem a matriz.

A Mucosidade-Umidade é pesada e por isso se acumula em baixo, ou seja, pode se acumular no útero e consequentemente obstrui-lo, tornando assim a mulher infértil.

Padrões de Deficiência

a) Deficiência de Rim

Segundo Maciocia (2007), a principal função do Rim consiste em armazenar a Essência e governar o nascimento, o crescimento e a reprodução. Para a Medicina Chinesa, o Rim nunca apresenta padrões de Excesso, somente de Deficiência.

Neste caso, se a mulher apresenta uma deficiência na Essência do Rim, não poderá conceber filhos.

Por esta razão é de grande importância que no memento da concepção os pais estejam em pleno equilíbrio energético, haja vista que a energia (Qì) dos Rins não pode ser reposta, já que são herdadas de nossos pais, ou seja, de suas essências.

Para Ross (2003), algumas mulheres tem debilidade constitucional do Qì do Rim e, por isso, apresentam dificuldade de concepção, em especial quando tal Deficiência for provocada por excesso de trabalho, falta de sono ou excesso de atividades físicas.

b) Deficiência do Qì e do Sangue

Neste Padrão, a Deficiência de sangue pode se dar por perdas excessivas de sangue nos períodos menstruais, o que consome a Essência, como também na tentativa do corpo de reter a essência, reduz-se o fluxo menstrual bem como a redução do ciclo menstrual, e em ultimo caso acarretando a cessação do ciclo (amenorréia). Neste caso observasse a impossibilidade da gestação, ou seja, ocorrerá a infertilidade.

Ross (2003) acrescente que a deficiência nutricional é fator importante na deficiência de Qì e Sangue, como se observa na anorexia.

No mesmo sentido Auteroche (1987).

c) Deficiência do Sangue e da Essência (Jing)

Outra causa da infertilidade na mulher, a Deficiência de Sangue e Essência Pré- Celestial (Jing), segundo Ross (2003) poderá decorrer de parto e de doença ou esforços extenuantes.

Fatores Psicológicos Associados à Infertilidade Feminina

Segundo Ross (2003), o estresse emocional pode inibir a menstruação e a concepção, ou seja, constitui-se fator causal da Infertilidade. Vejamos:

A Estagnação do Qì do Figado pode estar relacionada com depressão geral, frustração e raiva reprimida, o que se apresenta um ressentimento da feminilidade e em certas condições uma resistência às transformações fisiológicas e psicológicas na fase sexual adulta.

Para muitas mulheres, gravidez, parto e maternidade estão envoltos por medo, seja ele da dor, do desconhecido, da responsabilidade diante de uma nova vida, das reponsabilidades adquiridas. Relacionada aos Rins, esta emoção, o medo, poderá causar Estagnação do Qì.

A Estagnação do Qì do Pulmão relaciona-se ao medo das perdas, do desconhecido. De desapegar-se do passado e viver novos relacionamentos.

Alguns casos de Infertilidade podem relacionar-se a situações de estresse no relacionamento, com sentimentos confusos sobre a concepção. Uma dualidade de sentimentos da mulher, duvidas quanto ao momento de ter um filho, a escolha do parceiro, a época, enfim, essa mistura de emoções podem impedir a concepção, e estão relacionadas com o Qì do Coração.

Por ultimo, Ross (2003) nos esclarece em relação as emoções relacionadas ao Baço, que se não existir uma relação solida, calorosa, entre a mulher e sua mãe, poderá ocorrer uma sensação de vazio interior, rejeição, que fará a mulher rejeitar a maternidade, mesmo que inconscientemente.

Tratamentos da Infertilidade pela Acupuntura

Os tratamentos sugeridos neste capitulo foram propostos por Campiglia (2010), Ross (2003), Maciocia (2000) e Alteroche et.al. (1987), utilizando-se técnica de puntura em pontos sistêmicos preconizados pela Medicina Tradicional Chinesa.

Padrões de excesso

a) Estagnação do Qi

Segundo Alteroche (1992), a estagnação do Qi é um obstáculo à circulação sanguínea acarretando o aparecimento de acúmulo de Sangue.

Os principais sinais e Sintomas envolvidos na Estagnação do Qi e do sangue, segundo Jeremy Ross (Ross, 2003) são Amenorréia ou Infertilidade com depressão, frustração, medo ou tristeza, distensão e desconforto no peito, região epigástrica e abdome, e em alguns casos náusea. Observar-se-á o Pulso em Corda ou Retardado, e a Língua Violácea.

A orientação terapêutica ou princípio de tratamento tem como objetivo fazer o Qi circular, eliminar a estagnação, acalmar o Fígado, por o Sangue em movimento e regular a menstruação, além de promover transito de Chong Mai (Vaso Penetrador) e Vaso Concepção.

Sugere Ross (2003) os seguintes acupontos para Estagnação do Qi do Fígado: F1 (Da Dun) e F14 (Qi Men), ambos em Dispersão.

Para mover o Qi podemos aplicar: F3 (Taichong); VB 34 (Yanglingquan); TA6 (Zhigou); PC6 (Neiguan); VC6 (Qihai); VC4 (Guanyuan); R14 (Siman); BP4 (Gongsun), todos em sedação ou harmonização. (Maciocia ,2000).

b) Estagnação do Sangue

Na Estagnação do Sangue o princípio de tratamento consiste em Revigorar o Sangue, eliminar a estagnação, acalmar o Fígado e o canal Chong Mai (Vaso Penetrador) e regular a menstruação. (Maciocia, 2000).
Do mesmo autor é a prescrição dos seguintes pontos, todos em sedação ou Harmonização: F3 (Taichong); VB34 (Tangglingquan); B17 (Geshu); BP10 (Xuehai); BP6 (Saniynjiao); TA6 (Zhigou); VC6 (Qihai); VC4 (Guanyuan); BP4 (Gongsun) (no lado direito); PC6 (Neiguan) (no lado esquerdo); R14 (Siman); E29 (Guilai); R6 (Zhaohai) (no lado direito); P7 (Lieque) (no lado esquerdo). (Maciocia, 2000).
A Doutora Helena Campiglia nos sugere os seguintes acupontos para tratar a estagnação de Qi e de Sangue: F3 (Taichong); VB34 (Tangglingquan); BP10 (Xuehai); VC3 (Zhong Ji); E29 (Gui Lai); Yintan, PC6 (Neiguan); BP6 (Saniynjiao); B17 (Geshu); BP10 (Xuehai); F8 (Qu Quan); B23 (shen Shu); B32 (Ci Liao); E36 (Zu San Li), ponto extra Zigong.

c) Fleuma e Umidade

Com o objetivo de dispersar a Umidade e a Fleuma, que, conforme anteriormente dito podem bloquear as tubas uterinas ou o processo reprodutivo em geral, podemos utilizar sob a orientação de Jeremy Ross, (Ross, 2003) os seguintes pontos: VC3 (Zhong ji), VC6 (Qi Hai), VC12 (Zhong Wan), E30 (Qi Chong), E40 (Feng Long), BP6 (San Yin Jiao), BP9 (Yin Ling Quan), TA6 (Zhi Gou). Em Harmonização ou Dispersão.

Com o mesmo objetivo, ou seja, de dissolver as mucosidades e ressecar a umidade, é de Auteroche a seguinte prescrição de acupontos: B21 (Weishu); TA12 (Zhongwan); BP5 (Shangqiu); BP6 (Saniynjiao); E29 (Gui Lai); E25 (Tianshu); E36 (Zu San Li); E40 (Feng Long). Todos em Tonificação. (Auteroche et. al, 1987).

Padrões de Deficiência

a) Deficiência do Yang do Rim

Esclarece-nos Maciocia (2007), que a deficiência do Yang do Rim poderá acarretar a falha ao aquecer a Essência, tendo como consequência, a privação da energia sexual de nutrir a Essência, resultando em impotência, ejaculação precoce, contagem baixa de esperma, esperma frio e ralo, infertilidade nas mulheres ou falta de libido.

Alteroche nos aponta as seguintes manifestações clínicas, quais sejam, ciclo menstrual longo, período menstrual escasso ou abundante, dor nas costas, tontura, sensação de frio, depressão, língua pálida, inchada e úmida. Pulso profundo e fraco. (Auteroche et. Al, 1987).

O Princípio de Tratamento segundo Maciocia (2007) consiste em tonificar e aquecer o Rim, fortalecer o Fogo da Porta da Vida. Para este autor, os seguintes acupontos deverão ser utilizados: B23 (shen Shu); VG4 (Ming Men); VC4 (Guanyuan); VC6 (Qihai), R3 (Taixi); R7 (Fuliu); B52 (Zhishi); ponto extra (Jinggong). Método de Reforço.

b) Deficiência do Yin do Rim

São as seguintes manifestações clinicas relacionadas à deficiência do Yin do Rim descritas por Maciocia (2000): Infertilidade de longa data, períodos menstruais adiantados, escassos, com sangue levemente colorido, calor, sudorese noturna, tontura. Observa-se Língua vermelha sem revestimento. Pulso flutuante- vazio ou rápido-fino.

O Principio de Tratamento segundo Maciocia (2007) é Nutrir o Yin do Rim. Para tanto utilizou os seguintes acupontos: VC4 (Guanyuan); R3 (Taixi); R6 (Zhaohai); R10 ( Yingu); R9 (Zhubin); BP6 (Saniynjiao); VC7 ( Yin Jiao); ); P7 (Lieque) e R6 (Zhaohai) (em combinação) (pontos de abertura do Vaso Diretor). O Método utilizado é de Reforço.

c) Deficiência de Sangue e Deficiência de Jing

Seguindo a orientação de Campiglia (2010), neste caso faz-se necessário nutrir Sangue e Essência, e acrescenta Auteroche et. al, (1987) a preocupação em fortalecer Fígado e Rim.

Observamos as seguintes manifestações clinicas: Infertilidade, esterilidade, ciclo menstrual longo, sangue pálido, cansaço, depressão, tez pálida, tontura, visão borrada. Língua pálida, fina e com revestimento borrado. Pulso será fraco, rugoso ou fino. (Auteroche et.al.1987).

O tratamento por Acupuntura proposto por Jeremy Ross será: VC4 (Guanyuan); R6 (Zhaohai); R13 (Qi Xue); B62 (Shen Mai); E36 (Zu San Li); BP6 (Saniynjiao); IG4 (He Gu) – todos em Tonificação, alternados com B17 (Ge Shu); B20 (Pi Shu), B23 (Shen Shu); B43 (Gao Huang) – Tonificação; B32 (Ci Liao) – Harmonização. (Ross, 2003).

d) Deficiência do Qi e deficiência de Sangue

As manifestações clinicas são Amenorreia ou Infertilidade com emaciação, cansaço e fraqueza por se submeter a regimes alimentares, anorexia, ou em decorrência de uma doença grave prolongada, depressão. O Pulso estará Fino, áspero ou pequeno. Língua Pálida, fina e flácida.

Acupuntura: VC4 (Guanyuan); VC12 (Zhong Wan); E29 (Gui Lai); E36 (Zu San Li); BP1 (Yin Bai); BP6 (Saniynjiao); IG4 (He Gu) – Tonificação. Alternados com B17 (Ge Shu); B20 (Pi Shu), B23 (Shen Shu); B43 (Gao Huang) – Tonificação; B32 (Ci Liao) – Harmonização; Acrescentar VG20 (Bai Hui), yin táng para anorexia. (Ross, 2003).

Estudos Recentes

Recentemente, alguns estudos científicos têm se ocupado em corroborar o uso da Acupuntura para o tratamento da fertilidade. Esses estudos apontam para mecanismos neuro-hormonais que influenciam o ciclo menstrual e a circulação sanguínea uterina, melhorando assim a qualidade dos óvulos e do endométrio e permitindo o aumento das taxas de gravidez em pacientes que se submetem à Acupuntura.

A título de exemplo vejamos logo abaixo:

O Chinese Medical Journal publicou trabalho realizado pelo Departamento de Obstetrícia e Ginecologia, Wuhan Medical School onde se verificou que a Acupuntura também tem efeitos sobre os hormônios sexuais. O referido estudo afirmou que a Acupuntura aplicada em mulheres com certas doenças que impedem a concepção, acelera a normalização da ovulação e dos ciclos menstruais. Pesquisas em coelhas mostraram que depois da Acupuntura, as células ao redor dos ovários tornaram-se luteinizadas e a membrana folicular tornou-se mais espessa, demonstrando que houve aumento da secreção do hormônio luteinizante.

Estudo científico (casos clínicos) realizado pelo Departamento de genética Faculdade de Medicina do Porto (Portugal) concluiu que a Acupuntura poderá ter efeitos positivos nas taxas de gravidez dos ciclos de RMA principalmente quando aplicada no dia da transferência embrionária, através de vias fisiológicas cada vez mais esclarecidas (regulação neuro-humoral, aumento do fluxo sanguíneo uterino, imuno-modulação), e da melhoria de condições psíquicas associadas a esta doença (ansiedade; stress, depressão). Adicionalmente, o seu custo económico é reduzido e os seus efeitos adversos são desprezíveis.

O The Chinese Jornal Integrated Traditional and Western publicou estudo cujo título Acupuncture for Infertility: Is It Na Effective Therapy? observou que a maioria dos estudos existentes sugerem um efeito positive da Acupuntura no tratamento da Infertilidade. Em primeiro lugar, a Acupuntura pode melhorar a ovulação através da modulação do sistema nervoso central e periférico, os sistemas neuroendócrinos, o fluxo sanguíneo ovariano, e o metabolismo. Em segundo lugar, a Acupuntura pode melhorar o resultado da fertilização in vitro (FIV) e pode ser relacionada ao aumento do fluxo de sangue uterino, da motilidade uterina inibida, e quadros de depressão, ansiedade e estresse. Seu efeito sobre a modulação da função imunológica também sugere utilidade em melhorar o resultado da fertilização in vitro (FIV).

Um grande estudo publicado (metanálise) no British Journal of Medicine mostra que trabalhos cientificos com Acupuntura e fertilidade foram realizados em vários centros de fertilidade do mundo em mais de 1.000 mulheres. Esses trabalhos apontam para o fato de que a Acupuntura pode realmente aumentar as chances de gravidez quando realizada durante o ciclo de fertilização in vitro (FIV). Pacientes que se submeteram a Acupuntura e, simultaneamente, ao tratamento de fertilização assistida tiveram maior indice de gravidez que aquelas que só fizeram a FIV (cerca de 10 a 12% a mais de que pacientes grávidas no grupo com Acupuntura).

Segundo estudo da Universidade de Virginia, nos EUA, a Acupuntura, tradicional terapia chinesa com agulhas, pode ajudar a tratar problemas de infertilidade causados por síndrome dos ovários policísticos.

OBJETIVO

O objeto da pesquisa é o de adquirir conhecimento sobre a patologia e demonstrar que a Medicina Tradicional Chinesa oferece recursos para o tratamento da infertilidade feminina, em suas diversas causas. O Objetivo do Nosso trabalho também pretende verificar a eficácia da Acupuntura no tratamento da Infertilidade Feminina e apresentar os tratamentos descritos para cada padrão energético causador da infertilidade feminina indicados pelos autores pesquisados, como também os acupontos mais utilizados para o tratamento.

METODOLOGIA

Para realização deste trabalho foi realizado método de pesquisa bibliográfica para o conhecimento e aprofundamento do tema escolhido, como também o levantamento de informações sobre o problema abordado.

Por outro lado, a pesquisa também foi empreendida através do método dogmático, porque teve como marco referencial a dogmática desenvolvida pelos estudiosos que já se debruçaram sobre o tema anteriormente.

Foi feita uma explanação de teorias levantadas em diversas fontes: livros, artigos, web e a organização de informações específicas sobre a acupuntura aplicada a ginecologia e aos tratamentos dos problemas de infertilidade feminina – objeto do trabalho.

Posteriormente foi realizado o trabalho escrito, com base nos dados levantados e discussão sobre as possíveis conclusões.

Adicionalmente, o estudo que resultou neste trabalho identifica-se, também, como o método da pesquisa aplicada, por pretender produzir conhecimento para aplicação prática, assim como o método da pesquisa exploratória, porque buscou proporcionar maior conhecimento sobre a questão proposta, além da pesquisa descritiva, porque visou à obtenção de um resultado puramente descritivo, sem a pretensão de uma análise crítica do tema.

CONCLUSÃO

A construção da maternidade valorizada pela sociedade permitiu uma evolução do papel social da mulher e deu a elas, além de uma posição de status na sociedade, um grande poder. Ser mãe, dentre outros aspectos, permeia fatores de relações de poder e de uma influência em toda a vida do filho e do grupo familiar, sendo em muitos casos o objetivo almejado por grande numero de mulheres.

Tendo como ponto de partida os conceitos fundamentais que alicerçam a Medicina Tradicional Chinesa, da qual a Acupuntura é o ramo mais conhecido no Ocidente, nossa pesquisa concluiu que a terapêutica alicerçada na Acupuntura produz resultados satisfatórios no tratamento da Infertilidade feminina, seja facilitando o autoconhecimento dos aspectos do organismo da mulher que deseja engravidar, passando por condições inclusive psíquicas, como também atuando de maneira principal quando trata com efetividade das questões fisiológicas que impedem a gravidez.

Nossa pesquisa demonstrou os principais acupontos utilizados para tratar a infertilidade feminina, como também os vários métodos de manipulação energética através das agulhas.

Importa ressaltar que a Medicina Chinesa Tradicional possui limitações, e, portanto não pode ser encarada como uma figura onipotente, capaz de resolver qualquer problema de saúde, em especial no que se refere à infertilidade feminina.

Durante a realização deste trabalho observamos a grande dificuldade em se encontrar textos especializados sobre o tema abordado, mormente quando se verifica critérios de atualização, haja vista a abrangência e relevância da Medicina Tradicional Chinesa e da Acupuntura.

Neste sentido, nossa pesquisa ratifica a urgente necessidade de mais estudos especializados sobre o assunto, haja vista a grande abrangência temática, como também pela necessidade de comprovação científica por parte de todos os profissionais que se utilizam da Acupuntura como método terapêutico.

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Anexo – Tabela de pontos utilizados nos tratamentos para infertilidade citados neste Trabalho.

Pontos

Função Energética

Indicação

F1

Descongestiona o fígado e regula o Qì; regula a menstruação e promove a micção.

Hemorragia uterina disfuncional anovulatória.

F3

Acalma o fígado e dispersa o vento, descongestiona o fígado e regula o Qi, fortalece o baço e transforma a umidade.

Menstruação irregular.

F8

Regula o fígado e nutre o sangue, protege os rins e expande a essência.

Certos distúrbios ginecológicos.

F14

Descongestiona o Fígado e fortalece o baço, harmoniza o estômago e diminui o Qi invertido.

Doença Hepática, inflamação do Baço.

Sem função ginecológica específica.

VB34

Descongestiona o fígado e estimula a vesícula biliar, torna os tendões flexíveis e alivia a dor.

Sem função ginecológica especifica

PC6

Restaura a clareza cerebral e suprime a dor, fortalece o baço e harmoniza o centro, descongestiona e ativa o meridiano e os seus vasos.

Sensação de inchaço torácico. Sem função ginecológica específica.

TA6

Aumenta a audição e ativa os orifícios da parte superior do corpo, ativa o meridiano e alivia a dor

Sem função ginecológica específica.

TA12

Ativa o meridiano e alivia a dor

Sem função ginecológica específica.

VC3

Ajuda o Yang e regula a água, a menstruação e alivia a dor

Menstruação irregular, infertilidade feminina.

VC4

Expande e reabastece o Qi fonte, regula a menstruação e promove a micção.

Infertilidade, menstruação dolorosa e irregular, leucorréia sanguinolenta, prolapso uterino.

VC6

Aumenta e regula o Qi, regula a menstruação e fortalece a essência

Menstruação irregular, amenorréias, hemorragia uterina, dismenorréia, leucorréia.

VC7

Regula a menstruação e alivia o fluxo, mobiliza o Qi e alivia a essência.

Certos distúrbios ginecológicos, como menstruação irregular.

VC12

Harmoniza o estômago e fortalece o baço, ativa e diminui o Qi dos órgãos.

Sem função ginecológica específica.

BP1

Fortalece o Baço, une o sangue e para as hemorragias.

Sem função ginecológica específica.

BP4

Fortalece o baço, transforma a umidade, harmoniza o estomago e regulariza o Jiao (aquecedor) médio.

Sem função ginecológica especifica.

BP5

Fortalece o Baço.

Sem função ginecológica específica.

BP6

Fortalece o baço, decompõe e elimina a umidade, regula o equilíbrio do Yin e do sangue, fígado e rins, harmoniza o Qi do útero.

Muitas disfunções ginecológicas e obstétricas, disfunções da função sexual masculina.

BP9

Fortalece o baço e elimina a humidade, restaura o equilíbrio dos flúidos corporais.

Sem função ginecológica especifica.

BP10

Regula a menstruação e revigora o sangue e elimina a umidade e alivia as náuseas, refresca o calor no Xue.

Menstruação irregular, dismenorréia, amenorréia, hemorragias uterinas disfuncionais anovulatórias.

R3

Enriquece o Yin e o reconstitui; acalma o fígado e diminui o Yang, descongestiona o meridiano e seus vasos.

Sem função ginecológica específica.

R6

Enriquece o Yin e pacifica o espírito, regula e alivia o fluxo menstrual.

Menstruação irregular, dismenorréia, leucorréia, inflamação aguda da pequena bacia, prolapso uterino.

R7

Reconstitui o Rim. Restaura o equilíbrio dos fluidos corporais.

Sem função ginecológica específica.

R9

Protege o rim e pacifica o espírito, regula o Qi e alivia a dor.

Distúrbios psíquicos e psicossomáticos.

R10

Protege o rim e ajuda o Yang.

Hemorragia uterina disfuncional anovulatória.

R13

Regula e reconstitui o Chong Mai.

Certos distúrbios ginecológicos como menstruação irregular, leucorreia.

R14

Regula o Qi e a menstruação.

Menstruação irregular, hemorragia uterina disfuncional anovulatória, infecções pós-parto, distúrbios da fertilidade.

B17

Repõe e acalma o sangue. Liberta o tórax e alivia a dor, diminui o Qi invertido.

Sem função ginecológica especifica.

B20

Fortalece o baço.

Sem função ginecológica especifica.

B21

Regula o centro e diminui o Qi invertido.

Sem função ginecológica especifica.

B23

Protege o rim e enriquece o Yin; regula a menstruação.

Certos distúrbios ginecológicos como menstruação irregular, leucorreia.

B32

Liberta o calor; regula o Qi e promove a menstruação.

Certas disfunções ginecológicas, como inflamação na pequena bacia, menstruação irregular, dismenorreia.

B43

Relaxa os tendões e ativa os vasos.

Sem função ginecológica especifica.

B52

Protege os rins e firma a essência, liberta e dispersa a humidade e o calor.

Infecções urinárias.

E25

Regula a subida e descida do Qi.

Anomalias na regularidade menstrual, dismenorreia.

E29

Ativa o Qi, alivia a dor, regula a menstruação e diminui o fluxo.

Amenorréia, leucorréia, prolapso uterino, menstruação irregular.

E30

Regula e tonifica o Chong Mai, regula a menstruação e promove a fertilização.

Menstruação irregular, disfunções da fertilidade, vulvite e certas disfunções obstétricas.

E36

Fortalece o corpo e o baço; restaura o equilíbrio do Qi, descongestiona e ativa o meridiano e seus vasos.

Fortalece o corpo com efeitos profiláticos e imunológicos. Em todas as disfunções atribuídas a um estado de vazio de acordo com a MTC.

E40

Fluidifica as mucosidades, alivia a insuficiência respiratória, proporciona um relaxamento geral e pacifica a energia espiritual.

Sem função ginecológica especifica.

P7

Dissemina o Qi do pulmão e dissipa as influências nocivas, descongestiona e ativa o meridiano principal, regula o Ren Mai (Vaso Concepção).

Sem função ginecológica especifica.

VG4

Aquece e restabelece o Yang do rim.

Certos distúrbios ginecológicos e obstétricos.

VG20

Acalma o fígado e dispersa o vento; pacifica o espirito.

Prolapso uterino.

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