Tratamento da Lombalgia Através da Acupuntura

UNIFOA – Centro Universitário de Volta Redonda
Coordenação de Pós Graduação e Pesquisa
Artigo: Tratamento da Lombalgia Através da Acupuntura
Autora: Patrícia Porto Meireles.

Patrícia Porto Meireles

RESUMO

A lombalgia é definida como quadro álgico localizada entre o último arco costal e a prega glútea, com ou sem irradiação para membros inferiores. A região lombar apresenta como função de eixo no corpo humano que permite a sustentação estática e a funcionalidade cinética. A MTC é uma ciência milenar e muito respeitada até os dias atuais. Para MTC a causa da lombalgia esta relacionada com o desequilíbrio energético de vários Zang e Fu, sendo assim a origem da lombalgia esta relacionada com vários fatores internos ou externos tais como exposição a diversos fatores climáticos, traumatismo, nutrição irregular, emoção, fadiga física e alteração biológica. A acupuntura é uma das técnicas da MTC, o tratamento da acupuntura na lombalgia é realizado para o reequilíbrio energético do corpo através dos meridianos. O objetivo deste trabalho é demonstrar a compreensão da relação entre a lombalgia e a MTC através da revisão de literatura e incluindo a utilização dessa terapia no tratamento da lombalgia. De acordo com a revisão bibliográfica conclui-se que a acupuntura visa, assim como os tratamentos ocidentais, o alivio imediato da dor, entretanto trabalha sob o ponto de vista dos distúrbios energéticos que poderão proporcionar resultados mais amplos e duradouros.

Palavras chaves: Acupuntura; Lombalgia; Tratamento da acupuntura na lombalgia.

ABSTRACT

Low back pain is defined as pain symptoms located between the last rib and the gluteal fold, with or without radiation to the lower limbs. The lumbar region shows the axis as a function of the human body that allows the support of static and kinetic feature. TCM is an ancient science and highly respected to this day, especially by Eastern, where this ancient technique began to spread to many countries. MTC to the cause of back pain is related to the energy imbalance and various Zang Fu, so the source of back pain is related to various internal or external factors such as exposure to various climatic factors, trauma, irregular nutrition, emotion, and physical fatigue biological change. Acupuncture is a technique of TCM, acupuncture treatment in low back pain is performed to rebalance the body’s energy through the meridians. This study aimed to demonstrate the understanding of the relationship between low back pain and MTC through literature review and including the understanding of acupuncture within the scope of the MTC and the use of this therapy in the treatment of low back pain. According to the literature review concluded that acupuncture aims, as well as Western treatments, the immediate relief of pain, though it works from the point of view of energy disturbances that may provide broader and more lasting results.

Keywords: Acupuncture, Back pain, acupuncture treatment of low back pain.

INTRODUÇÃO

Os conhecimentos da Acupuntura estiveram isolados do mundo ocidental por cerca de 5.000 anos (MANN, 1971, p.208; WEN, 1989, p.225), distanciando a forma de raciocínio e linguagem. Além do empecilho semântico, a prática dessa técnica se depara com deficiências no ensino e difusão científica (CIGNOLINI, 1990). 

Existe um número bastante reduzido de trabalhos científicos aplicados especificamente ao estudo desta forma de abordagem, o que reduz os horizontes para divulgação da técnica e traz descrédito aos profissionais que buscam formas alternativas de intervenção terapêutica. 

Nos últimos 20 anos a Acupuntura tem crescido e tem tido grande aceitação como tratamento nos países ocidentais (YAMAMURA e TABOSA, 1995). 

Dentre as várias situações causadoras de dor, o presente estudo abrange a dor lombar designada por Lombalgia. A importância do estudo das Lombalgias se justifica pela sua alta prevalência na população e pelo expressivo impacto socioeconômico negativo gerado pelos casos de incapacidade física, sintomas de dor, alta morbidade, podendo ser considerado um problema de saúde pública em nosso país. 

Nos dias atuais, em que a rotina diária é extremamente desgastante e as doenças relacionadas à coluna lombar são comuns, Souza et al. (2011) cita que a lombalgia apresenta-se dentre as queixas mais relatadas nos afastamentos dos ambientes de trabalho e aposentadorias por invalidez. A lombalgia é definida como quadro álgico localizada entre o último arco costal e a prega glútea, com ou sem irradiação para membros inferiores. (SIENA et al, 2010) 

As dores lombares (lombalgia) atingem níveis epidemiológicos na população em geral. Em países industrializados sua prevalência chega a 70%. 

Cerca de 10 milhões de brasileiros ficam incapacitados devido a essa morbidade. (SILVA; FASSA; VALLE, 2004). 

O organismo humano é capaz de suportar agressões patogênicas, porém essa capacidade diminui com o decorrer dos anos, provocando um desequilíbrio fisiológico que se caracteriza pelo aparecimento de doenças. (CHAIM, 2005) 

Quando a dor lombar tem duração superior a seis meses pode ser caracterizada como dor crônica, esse fato determina altos custos ao sistema de saúde e afeta inúmeros segmentos sociais de econômicos. Vários são os fatores associados à presença da dor lombar, tendo como exemplo a idade, sexo, tabagismo, classe social, prática de atividade física e atividade laboral. (ALMEIDA; SÁ; SILVA; BAPTISTA; MATTOS, LESSA, 2008). 

Muitas vezes o problema é postural, isto é, causado por uma má posição para sentar, para se deitar, para se abaixar no chão ou para carregar algum objeto pesado. Outras vezes pode ser causada por inflamação, infecção, hérnia de disco, escorregamento de vértebra, artrose (processo degenerativo de uma articulação) e até emocional. (BVS, 2009) 

Desiquilíbrios musculares, fraqueza muscular, diminuição na amplitude ou na coordenação dos movimentos, aumento da fadiga e instabilidade do tronco são situações que favorecem a permanência/aparecimento da dor lombar. (JÚNIOR; GOLDENFUM; SIENA, 2010) 

Considerando a relação direta entre o equilíbrio do organismo e a prevenção de doenças, analisamos a grande importância da acupuntura nos dias atuais.  A acupuntura é uma prática interativa e complementar que pertence à MTC, e tem como finalidade a restauração do funcionamento do equilíbrio energético, fazendo com que o organismo trabalhe em harmonia, prevenindo o quadro de adoecimento e tratando a doença já instalada no paciente. (PEREIRA, 2010) 

Diante da problemática e da realidade em que se insere a lombalgia e da crescente busca por tratamentos alternativos e holísticos, percebe-se a necessidade de uma pesquisa de revisão de literatura para a construção de conhecimento que favoreça a compreensão da relação entre esses dois temas. 
 
MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 

A MTC é uma ciência milenar e muito respeitada até os dias atuais, principalmente pelos orientais, onde esta técnica antiga começou a propagar-se para vários países. (CUNHA, 2007). 

Os registros sobre a MTC indicam que esta prática já era utilizada antes do ano 7.000 a.C como forma de prevenção e tratamento de diversas enfermidades. Os primeiros documentos escritos sobre essa técnica datam de 3.000 a.C e os primeiros achados arqueológicos que comprovam a utilização de materiais de tratamento com MTC são do ano de 2000 a. C. (ALENDE et al., 2008). 

A MTC apresenta como objetivo principal a observação dos fenômenos naturais e como esses fenômenos influenciam o ser humano, dentro do processo de cura e equilíbrio energético proposto pela técnica. 
 
DIAGNÓSTICO DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 
 
O diagnóstico da MTC é um requisito para a determinação do tratamento, visando à compreensão de como o paciente se implanta dentro do seu contexto de vida e como está interagindo com fatores que o cercam. O padrão de resposta de cada indivíduo, em dado momento, é categorizado em síndromes. A partir desse diagnóstico, é definido o plano de tratamento. (SZABÓ e BECHARA, 2010) 

Maciocia (2007) Para a MTC, a língua é capaz de manifestar a presença de doenças em diferentes órgãos. Cada uma de suas partes representa um órgão, e as observações da cor, forma, cobertura e umidade da língua são capazes de ajudar na identificação da patologia. Além disso, vale ressaltar que, para o diagnóstico, levam-se em consideração vários aspectos dos pacientes. Sendo assim, em uma anamnese ampla, com o intuito de observar o corpo como um todo, são observadas características faciais, a inspeção do pulso e da língua do paciente. (ALENDE et al., 2008) 

ACUPUNTURA 

A acupuntura é uma das técnicas da MTC. A palavra tem origem em duas palavras em latim: acus, que significa agulha, e punctura, que significa picada. Portanto, é a inserção de agulhas em pontos específicos na pele, com o objetivo de tratar e prevenir doenças. (SILVA et al., 2011) 

As principais aplicações de acupuntura eram feitas com agulhas de pedra entre os séculos XXI-XVI A.C.. Com o decorrer dos anos foram substituídas por farpas de bambu, ossos e espinhas de peixe, posteriormente, diante da evolução da acupuntura por meio de pesquisas, foram substituídos os materiais por bronze, ouro, prata, platina e outros, até finalmente adotar-se o uso exclusivo de agulhas de aço inoxidável. (SZABÓ e BECHARA, 2010). 

A técnica baseia-se no equilíbrio energético do paciente, que é tratado de  forma global, estabelecendo uma harmonia entre o corpo e a mente através dos meridianos, conhecidos como canais energéticos, que correspondem às linhas imaginárias que percorrem todo o corpo, ligando órgãos às vísceras, e que são por onde trafega a energia vital denominada Qi. (ALENDE et al., 2008). No decorrer dos meridianos, obtemos vários pontos de acupuntura onde é introduzida a agulha – também chamados de acupontos. São regiões da pele onde há grande concentração de terminações nervosas sensoriais e relacionam-se com nervos, vasos sanguíneos, tendões, periósteo e capsula articular, e quando são estimulados, acessam diretamente o sistema nervoso central (SNC). (ROSA et al., 2010) 

A acupuntura analisa o organismo humano de um ponto de vista sistêmico e complexo, e demonstra que há uma grande quantidade de agentes que se inter-relacionam. (LOPES et al., 2011) 

Cunha (2007) relata que o mundo ocidental tem utilizado a acupuntura assim como os orientais. Além disso, cita que, no Brasil, estima-se que haja a presença de aproximadamente 20.000 profissionais acupunturistas. 

Outro dado importante é que a acupuntura está regulamentada pela portaria n° 971/2006 do Ministério da Saúde, e a população tem apresentado grande interesse nessa prática complementar e alternativa. (LOPES et al., 2011). 

A utilização da acupuntura como método de tratamento de doenças tem demonstrado ótimos resultados, principalmente na diminuição do quadro álgico. (CUNHA,2007). 

LOMBALGIA NA MEDICINA OCIDENTAL 

O esqueleto humano é divido em apendicular (membros superiores e inferiores) e axial que compreende a coluna vertebral, o crânio, o esterno e as costelas. (BURIGO e LOPES, 2010) 

Cunha (2007) descreve a importância da coluna vertebral, pois esta é o eixo do corpo humano e permite a sustentação estática e a funcionalidade cinética, havendo assim a conciliação de rigidez e flexibilidade. 

A coluna vertebral é separada em cervical, torácica, lombar, sacral e coccígeas e realiza os movimentos de flexão, extensão, flexão lateral, circundação e rotação. (MEHRET et al, 2010)

Mehret et al. (2010) descreve que a amplitude dos movimentos vertebrais depende do nível da coluna vertebral e a coluna lombar é responsável pela maior parte dos movimentos de flexão e extensão. Além disso, a coluna lombar fornece suporte para a porção superior do corpo e transmite o peso dessa área para os membros inferiores e região pélvica. (CUNHA, 2007) 

De acordo com IIDA (2008) o homem na sociedade atual permanece na postura sentada grande parte do dia e isso ocasiona desequilíbrios musculares e diminuição da estabilidade e mobilidade na região lombar. 

Burigo e Lopes (2010) menciona que a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, relacionada a lesões reais ou potenciais. Branco (2005) complementa afirmando que a dor é um dos grandes incômodos da humanidade e tem impacto social e econômico. 

De acordo com Macedo e Briganó (2009) a lombalgia é a segunda dor mais frequente no homem. Além disso, essa doença representa um impacto econômico, pois representa um custo elevado no seu tratamento para o sistema de saúde e para previdência social, devido ao alto índice de afastamento. 

Abreu e Ribeiro (2010) definem lombalgia da seguinte forma:

“A lombalgia corresponde a dor localizada na região póstero – inferior da coluna vertebral, compreendida entre o último arco costal e a prega glútea, podendo acarreta limitações em várias aspecto do indivíduo.”

O aparecimento da lombalgia está associado a movimentos de levantamento de objetos pesados, vibração, rotação e flexão anterior do tronco. Além disso, relatam-se fatores psicológicos, ergonômicos, alterações biomecânicas, características demográficas e ocupacionais. (MACEDO E BRIGANÓ, 2009) 

Abreu e Ribeiro (2010) descrevem a lombalgia como doença ocupacional, pois está relacionada à atividade profissional com grande sobrecarga física associada à postura inadequada, movimentos repetitivos e estresse.

De acordo com Macedo e Briganó (2009) o tratamento da lombalgia é complexo e a fisioterapia se torna um recurso essencial para a reabilitação do paciente. 

Os tratamentos fisioterapêuticos incluem técnicas de terapia manual, cinesioterapia, eletrotermoterapia, hidrocinesioterapia, reeducação postural e manipulação osteopática e, assim como a utilização de medicamentos, visam à diminuição do quadro álgico. 

LOMBALGIA NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 
 
A lombalgia para a MTC é uma manifestação sindrômica relacionada, basicamente, às deficiências energéticas dos Rins. Todavia, uma alteração energética de outros meridianos pode resultar em uma enfermidade na coluna lombar. (BUGURIO e LOPES, 2010). 

No entanto, Mehret et al. (2010) menciona que a lombalgia, na visão da MTC, pode ser descrita como uma síndrome de obstrução dolorosa, ou síndrome Bi, o que se caracteriza por sensibilidade ou formigamento dos músculos, tendões e articulações, causados por invasão de uma energia perversa como vento, frio ou umidade. Essa invasão resulta na obstrução de Qi e Xue dos meridianos. 

Para Ferreira (2009), a lombalgia pode ser desencadeada por fatores externos e internos. Fatores externos são mudanças bruscas de clima, frio, umidade, vento, calor e traumatismos, que resultam em estagnação de sangue, bloqueando a passagem de Qi e Xue pelos meridianos da região lombar. Fatores internos são as emoções, fadiga física, excesso de atividade sexual e deficiência energética do corpo devido à idade avançada. Nestes casos, a essência energética é deficitária, podendo chegar à exaustão e a uma deficiência do Qi e do Xue, impedindo que os músculos e os tendões apresentem uma nutrição apropriada, o que resulta em uma fadiga tecidual mais rápida ao nível da região lombar. 

A área inferior das costas é intensamente influenciada pelos Meridianos da Bexiga e do Rim. O meridiano principal da Bexiga flui ao longo das costas em duas linhas, o meridiano do Rim flui a partir do períneo ao longo da coluna e vai para os rins e para a bexiga. (CUNHA, 2007). 

Lopes et al. (2011) descreveu em sua pesquisa que a MTC considera a região lombar, assim como toda a coluna vertebral, dependente do Shen Qi. Quando existe uma deficiência da energia, surge a condição básica para haja as alterações energéticas, funcionais e orgânicas nas regiões. A deficiência de energia do rim está associada à patologia energética dos Zang e Fu e dos Canais de Energia e Colaterais. 

Assim, as diversas formas de lombalgia, consideradas pela MTC, estão condicionadas às afecções dos Canais de Energia Principais, Curiosos, Distintos, Tendinomuscular e Luo longitudinal. 
 
CLASSIFICAÇÃO DA DOR 
 
Turk e Okifuji (2002) consideram que a definição da dor deveria contemplar não só os mecanismos fisiológicos envolvidos, bem como a dimensão temporal. De acordo com a dimensão temporal do quadro álgico, a dor pode ser classificada de: aguda, crônica ou episódica. A dor aguda é rápida, localizada, permanece enquanto o agressor estiver presente e funciona como um sinal de alarme biológico que protege o organismo e garante a sua sobrevivência na sequência de uma lesão específica, enquanto a dor crônica se define como um conjunto de sintomas que persistem para além da lesão causal e implicam o envolvimento e a interação de fatores biopsicossociais na manutenção e persistência dos comportamentos de dor. 

No caso da dor aguda, que é comumente associada a dano tecidual, a percepção da sensação da dor atua como um sinal que induz a pessoa a adotar comportamentos que objetivam afastar, diminuir ou abolir a causa da dor. Já em contraste com a dor aguda, a dor crônica tem função biológica diferente e associa-se a muita hiperatividade autonômica. Os doentes com dor crônica geralmente, exibem sintomas neurovegetativos como alterações nos padrões de sono, apetite, peso e libido, associados á irritabilidade, alterações de energia, diminuição da capacidade de concentração, restrições nas atividades familiares, profissionais e sociais (OLIVEIRA, 1997). 

A dor crônica instala-se muitas vezes de forma insidiosa, com ou sem lesões subjacentes. Quando desencadeada por lesão orgânica, a dor torna-se crônica se esta permanecer para além da consolidação da lesão. É uma dor que persiste para além do curso usual de uma doença aguda ou para além do tempo considerado normal para o controle da experiência dolorosa. Este período, para a maioria dos autores, é superior a três meses, mas podem durar anos assumindo a condição de uma síndrome ou mesmo de uma doença (TURK E OKIFUJI, 2002). 
 
ABORDAGEM ENERGÉTICA 
 
Sob o ponto de vista energético a dor é interpretada como uma obstrução. O elemento obstruído pode ser a energia, o Sangue, os Líquidos Orgânicos ou os alimentos e uma das manifestações ao obstáculo do fluxo energético é a dor (SIONNEAU e LU, 2005, p. 73- 90 apud FERREIRA, 2009, p. 52). 

A obstrução pode ocorrer numa zona específica do corpo, em um meridiano ou em um órgão. Do ponto de vista do diagnóstico energético, a dor é interpretada segundo as oito regras do diagnóstico: o tipo de dor, Yin ou Yang; a natureza, Frio, Calor ou Umidade; a localização, Superficial ou Profunda e o estado, Excesso ou Deficiência. Relacionando os conceitos descritos anteriormente, pode-se explicar a ação da Acupuntura como um sistema que modifica o desequilíbrio, interpretado como uma obstrução à passagem da energia nos meridianos, pela utilização de agulhas em pontos específicos, cuja ação é encaminhar e restabelecer o fluxo energético através dos meridianos (AZNAR e PÉREZ, 1998, apud FERREIRA, 2009, p. 52). 
 
ANALGESIA PELA ACUPUNTURA 

A Acupuntura segundo Vale (2006) foi o primeiro tratamento que levou a analgesia eficaz no tratamento da dor na História da Medicina. Utilizada há mais de 3.000 anos na Medicina Tradicional Chinesa para tratamento de várias doenças, surgiu da observação de que os ferimentos a flecha nos guerreiros cicatrizavam mais rápido do que os de espada ou porrete. 

Principalmente nos últimos 20 anos a Acupuntura tem crescido e tem tido grande aceitação como tratamento nos países ocidentais (YAMAMURA e TABOSA, 1995). 

Nas últimas décadas, muitos estudos foram realizados para esclarecer os mecanismos de ação e os fenômenos neuroquímicos que ocorrem durante a analgesia por Acupuntura, o que levou a compreensão da importância dos reflexos espinais como importante mecanismo de ação desta modalidade de tratamento (WU, 1990). 

Segundo Yamamura (2001, p.XLIII-LIX), o conhecimento das vias neuro anatômicas envolvida no mecanismo de ação da Acupuntura torna fácil o entendimento de como esta forma de tratamento atua no corpo humano, determinando seu efeito sobre a fisiopatologia das afecções da coluna vertebral e, por outro lado, constituindo caminho que permite o efeito terapêutico global que é produzido por ela. 

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) por meio da Acupuntura proporciona excelentes resultados no tratamento de dor na coluna. Estudos demonstram que a Acupuntura induz o organismo a produzir esteróides, que diminuem o processo inflamatório; também estimula a produção de endorfinas, analgésicos naturais do corpo, melhorando a sensação de bem estar, o humor, a qualidade do sono e o relaxamento global, contribuindo assim para a diminuição do espasmo muscular e da dor (MACIOCIA, 1996; LEMOS et al., 2004). 

A Acupuntura provoca reações em um nível espinhal (segmentar e regional) através de estímulos nocivos periféricos que são conduzidos para a medula espinhal com liberação de peptídeos. Estas substâncias (substância P, neuroquinina A, calcitonina, peptídeos gene), modulam a transmissão de estímulos nociceptivos ao sistema nervoso central (SNC) (DIAS e SOUZA, 2003). 

Dessa forma a inserção da agulha pode atuar como estímulo mecanoceptivo modulando o estímulo sensitivo doloroso periférico quando é enviado até a medula, e assim impedir a transmissão do impulso e a sequência de sinapses até os centros superiores (ANDRADE et al., 2003). 

Na concepção neurofisiológica da ação da Acupuntura, as agulhas agem, principalmente sobre as fibras nervosas A-delta e C, desencadeando potencial de ação na membrana destas fibras cujo estímulo segue até a medula espinhal, por onde através de séries de  sinapses  podem  estabelecer arcos reflexos, estimular os neurônios pré-ganglionares e projetar-se através dos tratos espinorreticular e espinotalâmico para o encéfalo (YAMAMURA et al., 1996a). 

A luz da neurofisiologia, os efeitos da Acupuntura na dor, são explicados através da Teoria do Controle da Dor por Melzack e Wall (1965, apud Hecker et al., 2007), que descreveram sua modulação pelos mecanismos inibidores no Sistema Nervoso Central (SNC). A inserção de uma agulha na pele causa excitação nas fibras nervosas sensoriais de rápida condução (fibras mielínicas A delta), cujo pulso aferente sobrepuja na Medula Espinhal (ME) os impulsos das fibras de condução mais lenta, provenientes dos órgãos lesados (fibras A beta e C). Este seria o mecanismo segmentar da Acupuntura no controle da dor. Um mecanismo supra segmentar também está envolvido no processo de neuro modulação à Acupuntura, pois além dos impulsos ascendentes, as vias que descendem do córtex cerebral para a ME também ativam inter neurônios inibidores da dor (HECKER et al., 2007). 

A formação reticular consiste em grupos de neurônios e fibras neurais que unem os núcleos cerebrais entre eles e cada um separadamente com centros subcorticais, centros talâmicos, centros do cerebelo, centros mesencefálicos, medula oblonga e medula espinhal. Funcionalmente, controlam os mecanismos reguladores do sono, tônus muscular, nível de consciência, ritmo cardíaco e respiratório, tônus vasculares, regulando e mediando as funções motoras, autonômicas e sensoriais. No nível dos núcleos da formação reticular é conduzida quase toda a informação a respeito da sensibilidade e ritmos. Informações que são analisadas quantitativa e qualitativamente mediando à dimensão afetiva/motivacional da experiência dolorosa e da relação comportamental da dor, tornando fundamental o papel da formação reticular na percepção e na modulação da dor (DIAS e SOUZA, 2003). 

Este mesmo autor ainda cita que a ativação da formação reticular regula o nível das funções basais dos núcleos funcionais do sistema nervoso central de acordo com a informação que recebe das vias sensoriais. É capaz de aumentar ou diminuir os sintomas psicossomáticos associados tais como, preocupação, sudorese fria, insônia, irritabilidade, tônus vascular, mudança do ritmo cardíaco e respiratório. A ação dos mecanismos homeostáticos da formação reticular pode ser conseguida apenas com a estimulação sensorial como a inserção de agulhas na pele pela Acupuntura. 

Segundo Sussmann (2000, p.23) no tratamento com Acupuntura, normalmente ocorrem reflexos desencadeados pela introdução da agulha em tecidos subcutâneos, que são: o reflexo curto que atinge o axônio e causa vasodilatação em torno da agulha; o reflexo medular cujo estímulo se direciona a medula, penetrando pela coluna posterior (via sensitiva) e saindo pela anterior (via motora) na forma de reação motora e secretória; e o reflexo vaso motriz, em que o estímulo ascende até os centros subcorticais, ocorrendo uma resposta mais elaborada da dor. 

A inserção de agulhas causa despolarização das membranas, capazes de gerar um potencial de ação nos receptores dos nervos, originando um estímulo que é conduzido principalmente pelas fibras. Para Dornette (1995), “os estímulos provocados pela agulha em diferentes receptores nervosos levam a múltiplos efeitos, uma vez que o sistema nervoso dá uma resposta específica conforme a via de condução do estimulo.” A técnica de manipulação da agulha quanto à intensidade, no sentido de rotação (horário ou anti-horário), frequência e inclinação, torna-se muito importante, pois diferentes neurotransmissores são liberados, excitando ou inibindo, resultando em interpretações cerebrais distintas e diferentes respostas. 

A Acupuntura modula neuroquimicamente os impulsos dolorosos na medula espinhal e do encéfalo, e influencia também na atividade encefálica através da estimulação em pontos maiores como o E36 (Figura 7) que ativa o hipotálamo (responsável pelo aumento dos níveis de endorfina, controle do comportamento,  da   temperatura,   o  impulso  para    comer e beber),  núcleo  accumbens (regulação da emoção, motivação, cognição e da liberação do neurotransmissor dopamina relacionada à busca do prazer) e desativam hipocampo (responsável pelo controle de nossas atividades emocionais e comportamentais, assim como nos impulsos motivacionais), inclusive influenciado no consumo de analgésicos e anestésicos (VALE, 2006). 

O tecido lesado pela Acupuntura produz as mesmas características de um processo inflamatório. A inserção de agulha estimula a liberação de peptídeos, substância P, histamina, bradicininas e enzimas proteolíticas que culminam com o aumento da irrigação sanguínea local por vasodilatação reativa a estas moléculas. E, juntamente com o aumento da irrigação sanguínea, há um aumento de serotonina, prostaglandinas e células de defesa do organismo (SANCHEZ et al., 2004). 

Muitas teorias têm sido elaboradas sobre os mecanismos fisiológicos da Acupuntura com o intuito de explicar os efeitos analgésicos desta. Nos dias atuais, grande parte da respeitabilidade que se tem a Acupuntura é devida à comprovação de que a inserção da agulha estimula a liberação de peptídeos opióides endógenos (FILSHIE e WHITE, 2002, p. 84-99). 

Zhao e Zhu (1992) sugerem que a Acupuntura pode ter efeitos diretos na regulação periférica da liberação de mediadores do processo inflamatório e da dor, levando a uma redução da liberação periférica de substância P (SP). 

A liberação de endorfinas para o líquido cefalorraquidiano durante o uso da Acupuntura e de seus efeitos analgésicos explicaria as conclusões chinesas de que esta técnica libera uma substância inibidora da dor, estando presente, também no líquido cefalorraquidiano (ANDRADE et al., 2004). 

Este mesmo autor relata que quando o líquido cefalorraquidiano de um coelho submetido à Acupuntura é transferido para outro coelho não tratado, o animal receptor mostrava alteração na sensibilidade à dor semelhante a do animal tratado com Acupuntura. 

Para Mok (2000), a serotonina desempenha uma função importante no controle da dor crônica, enquanto que a noradrenalina desempenha alguma função no manuseio da dor aguda. 

Da mesma forma que a estimulação elétrica transcutânea nervosa (TENS), a Acupuntura e Eletroacupuntura, também podem inibir os estímulos nociceptivos, pela ativação dos sistemas inibitórios da dor descendente que agem no nível do miótomo específico. A Acupuntura e Eletroacupuntura apresentam um efeito inibitório nos interneurônios da medula espinhal que é mediada pelo sistema analgésico opiáceo (DIAS e SOUZA, 2003). 

Em relação à supressão de dor somática e de algumas dores viscerais pela Acupuntura (analgesia), acredita-se que a irritação da agulha em um ponto cutâneo levaria à vasoconstrição dos vasos nutrientes dos nervos, por estimulação simpática, e tal isquemia bloquearia a condução nervosa. As fibras mais sensíveis (as que precocemente perdem a função condutora) são as fibras dolorosas e táteis. As fibras mais resistentes são as motoras, daí o motivo de o paciente, sob analgesia por Acupuntura, manter a consciência e os movimentos, enquanto a dor e o tato ficam anestesiados (BASTOS, 1993, p.23). 

No sistema nervoso autônomo, o componente eferente do sistema nervoso vegetativo controla a atividade das vísceras, órgãos, glândulas, vasos e músculos, pela atuação sinérgica do sistema nervoso simpático e parassimpático. As fibras aferentes que carregam informação ao SNC, que provém de vísceras e estruturas internas, encontram-se em gânglios da raiz dorsal que se dirigem à medula, na qual fazem sinapse com neurônios de conexão na coluna posterior. Como os neurônios aferentes somáticos e autônomos fazem sinapse nesta região, há uma possibilidade de eles interagirem, sendo esta uma das bases do resultado terapêutico da Acupuntura e a explicação do fenômeno da dor referida (BASTOS, 1993, p.23). 

O tratamento para pacientes através da Acupuntura evoluiu ao longo do tempo e, recentemente, tem havido muito interesse pela filosofia deste tratamento, pois a eficácia da Acupuntura como método terapêutico e sua aplicação na analgesia cirúrgica motivaram pesquisas com o objetivo de encontrar alguma explicação científica de seu modo de ação (ANDRADE et al., 2004). 

TRATAMENTO DA LOMBALGIA NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 

Segundo Maciocia (2010, p. 869-897), o tratamento da dor nas costas é baseado na distinção entre casos agudos e crônicos, em lugar de uma diferenciação entre os padrões. Sob a perspectiva da Acupuntura, o sucesso de um tratamento não se constitui em uma diferenciação de padrões, mas na identificação adequada dos canais envolvidos, na escolha adequada de pontos distais e locais acompanhada da correta manipulação e irradiação da sensação da inserção da agulha. A escolha dos pontos não é orientada pela identificação de padrões, mas pela localização e natureza da dor. No tratamento de dor nas costas, estes fatores são mais importantes que o tratamento de acordo com a identificação de padrões (vital no tratamento dos Órgãos Internos). 

TRATAMENTO DE ACORDO COM O CASO CLÍNICO

O tratamento da Lombalgia crônica é prescrito de acordo com os sintomas, meridianos afetados e a etiologia da dor. A Acupuntura mostrou ser eficaz no tratamento da dor lombar (PATEL et al., 1989) e na Lombalgia crônica em particular (VAN et al., 2000). A Acupuntura pode ou não ser associada à eletroestimulação com vista à melhores resultados e este tratamento pode ser um importante suplemento ao tratamento ortopédico conservador para a manutenção do tratamento de Lombalgia crônica (MOLSBERGER et al., 2002; MENG et al., 2003).

Maciocia (2010, p. 869-897) divide os tratamentos de acordo com os quadros agudos e crônicos: 

Os quadros agudos são provenientes de Umidade-Frio ou de Estagnação de Qi e Sangue na região afetada.
 
Pontos distais: a escolha depende da localização da dor. Aplicação por aproximadamente 15 minutos 
B40- Dor localizada na parte inferior das costas acima das nádegas. 
VG26- Dor localizada ou iniciada na linha média espalhando-se para fora. 
B10- Dor localizada ou iniciada na linha média espalhando-se para fora. 
ID3- Dor unilateral e ligeiramente mais alta, aproximadamente no nível do umbigo. 
Yaotongxue- Dor unilateral e localizada na porção média das costas, acima do umbigo. 
B58- Dor na perna entre Meridianos da Bexiga e Vesícula Biliar. 
B62- Dor unilateral e irradiando para baixo na direção das pernas. 
B59- Paciente com dificuldade para caminhar. 
Pontos Locais: são selecionados de acordo com a sensibilidade mediante a pressão (pontos Ashi). Aplicação por aproximadamente 20 minutos. Além dos pontos Ashi, há pontos locais que podem ser aplicados independentemente da sensibilidade. 
VG3- Fortalece as costas e as pernas. Utilizado caso a dor se irradie para a perna. 
VG4- Tonifica o Yang Rim e fortalece as costas. 
VG8- Relaxa os tendões e alivia a rigidez e a contração. 
B32- Utilizado caso a dor seja localizada sobre o sacro. 

Os quadros crônicos são sempre provenientes da Deficiência do Rim, que pode ser combinada com retenção de Umidade-Frio ou Estagnação de Qi e Sangue, ou com ambas. 

Pontos distais: os mesmos dos casos agudos, com acréscimo de alguns. 
ID3 e B62- Abre o VG, fortalecem a espinha e tonificam os Rins. 
Homens: ID3 (E) / B62 (D) 
Mulheres: ID3 (D) / B62 (E) / P7 (E) / R6 (D) (Vaso Governador e Vaso Concepção). 
B62 e ID3- Abrem o Yang Qiao Mai. Utilizados se a dor irradia na direção do quadril. 
Homens: B62 (E) / ID3 (D) 
Mulheres: B62 (D) / ID3 (E) 
B60- Dor crônica nas costas. Também afeta a parte superior das costas e o pescoço. 
R4- Tonifica os Rins e o Canal de Energia Principal da Bexiga, pelo fato de ser ponto de Conexão. 
BP3- Influencia a espinha. 
VG20- Dor localizada na parte inferior da espinha lombar. 
C7- Alivia a dor nas costas acalmando a mente e aliviando o espasmo. 
Pontos locais: são selecionados de acordo com a sensibilidade mediante a pressão (pontos Ashi). 
B23- (Shenshu) deve ser utilizado em todos os casos. 
B26- Ponto de Transporte Dorsal do Portão Original 
B54- Dor irradiando para as nádegas (MACIOCIA, 2010, p. 869-897). 

De acordo com Ribas (2002) no tratamento da Lombalgia utilizam-se os seguintes pontos: pontos locais B23, VG4, B52, B22, tonificando Rim e para fortalecer a parte posterior das costas; R7 e R10 para fortalecer o Shu do Rim; VG2, B40, R2 e B27 para contratura muscular em região lombar. 

Tratamento de acordo com o Meridiano afetado 

Segundo o Capítulo 41 do Livro Simples Questions, a dor nas costas proveniente do canal da Bexiga envolve pescoço, coluna vertebral e quadril. O paciente sente como se carregasse pesos pesados nas costas; inserir agulha no ponto B40 (Weizhong). Na dor nas costas proveniente do canal da Vesícula Biliar, o paciente sente como se estivesse sendo agulhado na pele, não podendo curvar e levantar a cabeça nem girar o corpo. Inserir agulha no ponto VB34 (Yanglingquan). Na dor nas costas proveniente do canal do Estômago, o paciente sente dificuldade em virar. Inserir agulha no ponto E36 (Zusanli). A dor nas costas proveniente do canal do Rim envolve a parte interna da coluna vertebral. Inserir agulha no ponto R7 (Fuliu). A dor nas costas proveniente do canal do Fígado deixa a cintura rígida como um arco esticado. Inserir agulha no ponto F5 (Ligou) (MACIOCIA, 2010, p. 869-897). 
 
Tratamento de acordo com os Padrões Sindrômicos 

Se a dor lombar é causada por Frio e Umidade, que penetrou ao nível da região lombar e está a obstruir os meridianos, impedindo que a circulação do Qi e do Sangue circule, o doente vai apresentar uma dor lombar acompanhada de uma sensação de frio, a dor não melhora com o repouso e pode mesmo agravar-se, mas que se atenua com a atividade, piora com a chuva e melhora com o calor. Nesta situação, o princípio terapêutico é expulsar a Umidade, aquecer os meridianos e desobstruir as ramificações (WANG, 1999 apud FERREIRA, 2009, p. 71; VANGERMEERSCH e SUN, 2001 apud FERREIRA, p. 71, 2009; SIONNEAU e LU, 2005 apud FERREIRA, 2009, p. 71). Deve-se aplicar método de sedação nos casos agudos e método neutro nos casos crônicos, a moxa deve ser utilizada (MACIOCIA, 2010, p. 869-897).

Na Lombalgia causada por Vento e Frio em que a dor lombar se acompanha de uma sensação de frio com irradiação para a região cervical, uma dor móvel que tanto dói à direita como à esquerda, alivia com o calor e com a palpação, o paciente tem receio do frio, o princípio do tratamento é relaxar os músculos, aquecer o corpo e dispersar o Vento-Frio (VANGERMEERSCH e SUN, 2001 apud FERREIRA, 2009, p. 74; SIONNEAU e LU, 2005, p. 74). 

Na Lombalgia causada por Estase de Sangue em que o doente refere uma dor fixa, que se agrava à pressão, não tolerando que se toque, tumefação e distensão local, dor que se agrava pelo movimento, nomeadamente nos movimentos ventilatórios, agrava-se de noite e atenua durante o dia, flexão e extensão  do  tronco  difícil  e  rotação  impossível  de  realizar,  o  princípio  do  tratamento é ativar a circulação sanguínea, dissolver a Estase e regularizar o Qi (SIONNEAU e LU, 2005 apud FERREIRA, 2009, p. 75). De acordo com Maciocia (2010, p. 869-897), deve-se aplicar método de sedação nos casos agudos e método neutro nos casos crônicos; a menos que haja sinais de Calor, a moxa deve ser utilizada. 

A Lombalgia causada por Deficiência da energia dos Rins, muito frequente na Lombalgia crônica, é manifestada por uma dor “surda”, difusa, acompanhada de astenia nos membros inferiores. Esta dor é aliviada com o repouso, com a palpação ou com a massagem e agrava-se com a fadiga; o princípio terapêutico consiste em nutrir a energia dos Rins. Aplicar método de tonificação; caso haja Deficiência de Yang do Rim, a moxa deve ser utilizada (MACIOCIA, 2010, p. 869-897). 

Na Lombalgia causada por Umidade Calor, cujos sintomas são: dor na região lombar e nas fossas ilíacas, podendo irradiar para a região cervical, sensação de calor no local da dor, agravamento no tempo chuvoso e úmido, tumefação, dor e calor nas vértebras lombares, o princípio do tratamento é refrescar o Calor, eliminar a Umidade e relaxar os músculos para cessar a dor (MACIOCIA, 2010, p. 869-897; e HAMMERSCHLAG, 2005). 

Na Lombalgia, devido a uma obstrução dos meridianos por Mucosidade, o paciente vai referir uma dor fixa, com sensação de frio e tumefação no local da dor. Esta dor é insensível às alterações climáticas e o paciente refere ainda à presença de expectoração. Nesta situação, o princípio terapêutico é favorecer a circulação do Qi e evacuar a Mucosidade (MACIOCIA, 2010, p. 869-897; WANG, 1999 apud FERREIRA, 2009, p. 75; SIONNEAU e LU, 2005 apud FERREIRA, 2009, p. 75). 

Na Lombalgia devida às perturbações emocionais, é referida uma dor lombar com irradiação para o abdômen e flancos, associada a uma ansiedade constante, edema nos membros e na face e entorpecimento da  área  dolorosa; o princípio terapêutico é regularizar a circulação energética (Qi), libertar a Estagnação, reforçar o órgão afetado (Baço ou Fígado), acalmar o espírito e nutrir o Coração (VANGERMEERSCH e SUN, 2001 apud FERREIRA, 2009, p. 75; SIONNEAU e LU, 2005 apud FERREIRA, 2009, p. 75). 

Conforme Senna (2003), no tratamento da Lombalgia por Acupuntura, é usado alguns pontos sensíveis locais no meridiano da Bexiga com o objetivo de fortalecer o Shu do Rim. A dor também pode ser decorrente da Estagnação do Qi e Sangue. A ciência oriental tem o objetivo de restabelecer a circulação de Qi e Sangue, regulando o Yin e o Yang, eliminando a dor, removendo a Estase e relaxando o espasmo muscular. 

Segundo Sherman et al., (2004), são aconselhados de acordo com o diagnóstico padrão da Lombalgia crônica, utilizar entre 9-11 pontos no caso de Umidade-Frio; 10-11 pontos no caso de Vazio da energia de Rim; e 11-12 pontos no caso de Lombalgia por Umidade-Mucosidade. 
 
OBJETIVO

O objetivo geral da pesquisa consiste em compreender a relação entre a lombalgia e a MTC através de trabalho de revisão de literatura. 
 
Os objetivos específicos do trabalho incluem o entendimento da acupuntura dentro do âmbito da MTC e a utilização dessa terapia no tratamento da lombalgia. 

METODOLOGIA 

A pesquisa é do tipo exploratório de abordagem qualitativa através de levantamento de dados. 
 
A busca informatizada para localização destes artigos foi feita através de bancos de dados confiáveis e bibliotecas virtuais como Lilacs, Medline, Bireme, Scielo, BVS, Periódicos Capes, referente às publicações dos últimos anos empregando termos como: Acupuntura; analgesia; Lombalgia; dor e tratamento para Lombalgia. 
 
Foram selecionados entre os artigos encontrados, aqueles que se correlacionavam com a aplicação da Acupuntura na Área de Distúrbios Musculoesqueléticos, especialmente no que dizia respeito às Lombalgias. Também foram utilizados livros específicos contendo conceitos básicos sobre o assunto. Todo material colhido foi analisado e serviu como base para elaboração deste trabalho. 

CONCLUSÃO
 
Com base nestes estudos, conclui-se que a população demonstra uma elevada prevalência da lombalgia, sucedendo no paciente isolamento da sociedade, comprometendo sua integridade física e psicológica. Esses sinais e sintomas podem estar associados com possíveis situações inadequadas relacionadas a vários fatores cotidianos. 

Há evidências de que a Acupuntura no tratamento das Lombalgias crônicas, independente da técnica utilizada, é significativamente eficaz na redução da intensidade da dor e nas limitações funcionais em relação ao tratamento convencional isolado. Estudos apontam que a Acupuntura é uma alternativa terapêutica promissora e efetiva com poucos efeitos adversos e contraindicações. Os conhecimentos milenares da Medicina Tradicional Chinesa, associados ao conhecimento da Medicina Ocidental podem contribuir para um grande avanço na medicina de forma geral, seja no entendimento da Lombalgia, na obtenção de resultados satisfatórios ou no benefício gerado ao bem estar físico-psíquico-social do ser humano. 

Novas pesquisas são necessárias para elucidar os mecanismos dos efeitos associados ao tratamento com Acupuntura, a relação custo-benefício, as técnicas que apresentam melhor eficácia e a melhor coerência na seleção de pontos específicos para dor lombar. Por isso, novas propostas de tratamento da Lombalgia crônica pela Acupuntura devem ser apresentadas pela sociedade científica, objetivando uma abordagem plenamente satisfatória em sua aplicação. 
 

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