Ventosaterapia cai no gosto popular após Michael Phelps exibir os roxos pelo corpo

Os olhares sobre Michael Phelps nesta Olimpíada não foram apenas para a performance do nadador na piscina. As marcas no corpo do campeão norte-americano também chamaram a atenção. Mas os roxos na pele têm explicação. Ele não apanhou ou, como até brincaram por aí, dormiu sobre as medalhas conquistadas. Para combater a dor, o esportista recorre à ventosaterapia. Apesar de não ser “tão” nova – tem cerca de 3 mil anos –, a técnica chinesa começa agora a ganhar força por aqui. Quem faz, garante: os roxões compensam.

A sensação de bem-estar é sentida já na primeira aplicação. É o que afirma a costureira Rosângela de Assis Mendes Fratini, de 48 anos. Depois de pedir ajuda a médicos de várias especialidades na tentativa de descobrir a causa de uma dor lombar que afetava as costas e a perna esquerda, há um mês e meio ela iniciou o tratamento com as ventosas. A indicação foi de um fisioterapeuta. “Os resultados são ótimos, o alívio é imediato. Dói, sim, um pouco. Mas vale a pena”, diz.

“O ideal, conforme especialistas, é fazer as sessões com ventosas a cada 15 dias, o que também vai depender do objetivo do paciente; as marcas permanecem por até uma semana”

A técnica consiste na aplicação, por sucção, de ventosas (copos de vidro ou acrílico) no corpo. “A partir daí ocorre uma pressão negativa na pele, estimulando a circulação no local e liberando as toxinas presentes no sangue. O que leva a essa sensação de alívio é o aumento do fluxo de sangue na região tratada”, explica o fisioterapeuta Aléssio Novais.

Se antes, na China, usavam até chifres de animais para aplicar a terapia, hoje a técnica está bem aprimorada. Ela pode ser usada com fogo, que queima o oxigênio provocando o “levantamento” da pele, como também com copos de acrílico com bombas de ar comprimido na ponta para se chegar ao mesmo efeito.

Aléssio, no entanto, alerta: se a aplicação das ventosas for feita com cortes na pele para fazer a sangria – na aplicação chamada de molhada –, ela precisa ser com copos de vidro. “Devem estar esterilizados”, complementa.

Indicações

Todo esse procedimento, afirmam especialistas, combate não só as dores no corpo. A terapia também é indicada para quem está lidando com problemas emocionais, estresse e busca a melhora no rendimento físico, no caso de atletas.

Mas não fique animado de antemão: as ventosas não podem ser a opção de quem tem problemas na pele ou faz uso de anticoagulantes. Essas pessoas, de acordo com o médico da família Luís Alberto Vasques, especialista em acupuntura, correm o risco de desenvolverem lesões duradouras e que levam ao quadro de trombose. “Também pode ocorrer AVC. Os casos são raros, mas a possibilidade existe”, alerta.

Quem apresenta problemas na pele também deve ter cautela. Na lista de distúrbios estão as dermatites, micoses, psoríase. As pessoas com ferimentos recentes também devem passar longe das ventosas.

Para evitar danos, a recomendação é, além de procurar um profissional habilitado, fazer um check-up com médico generalista. Doenças devem ser relatadas. “Com essas informações, o especialista dirá se a terapia é ou não indicada. A técnica está muito em evidência. É uma das grandes ferramentas da medicina alternativa, mas deve ser feita com prudência. Só faça após um exame de rotina com um médico”, frisa Luís Alberto.

Associada

Agora, de acordo com especialistas, a ventosaterapia não faz milagre sozinha e precisa ser associada a outros tratamentos. A escolha da segunda alternativa, porém, depende do quadro de cada paciente. No caso de Rosângela de Assis, a técnica é usada paralelamente à acupuntura tradicional, com a utilização de agulhas. “Não existe tratamento infalível, e ele deve ser aliado a outro para alcançar o objetivo final. A ventosa não é milagrosa”, frisa Aléssio Novais.

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Fonte: Hoje em DiaAutora: Renata Galdino.

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